2026 é o ano em que a reforma tributária saiu do papel e entrou na nota fiscal. Desde janeiro, as empresas passaram a destacar a CBS (0,9%) e o IBS (0,1%) nos documentos fiscais, em caráter de teste. Quem cumpre as obrigações acessórias — ou seja, informa os novos tributos corretamente na nota — fica dispensado do recolhimento nesta fase.
Passado o primeiro trimestre, vale a pergunta: sua empresa está de fato usando o ano-teste como teste? Ou está empurrando o assunto para dezembro?
Por que a fase de testes importa
O ano de 2026 foi desenhado justamente para que empresas, sistemas e o próprio fisco errem agora, quando o erro não custa imposto. A partir de 2027, a CBS passa a ser cobrada de verdade, substituindo PIS e Cofins — e aí não haverá mais margem para “ainda estamos nos adaptando”.
Quem trata 2026 como um ano qualquer descobre os problemas em janeiro de 2027, junto com todo mundo, disputando a agenda do contador e do fornecedor de sistema.
O que conferir no seu sistema agora
Aproveite o segundo semestre para validar, com calma, três pontos:
1. Suas notas estão saindo com CBS e IBS destacados?
Pegue uma NF-e emitida neste mês e verifique com o contador se os novos campos estão preenchidos. Se o seu sistema ainda não destaca os tributos da reforma, esse é o primeiro alerta — as notas técnicas da SEFAZ que criaram esses campos já estão em vigor.
2. Seus produtos e serviços estão classificados corretamente?
A reforma trouxe novas classificações tributárias que determinam como cada item é tratado na CBS e no IBS. Um cadastro de produtos desorganizado — NCM errado, tributação copiada de outro item “parecido” — vai gerar destaque errado agora e imposto errado em 2027. Corrigir cadastro é trabalho braçal: quanto antes começar, melhor.
3. Seu fluxo de compras também mudou
A reforma não afeta só o que você vende: as notas dos seus fornecedores também vêm com os novos campos, e o crédito de CBS/IBS será parte importante da conta a partir de 2027. Receber e escriturar essas notas corretamente desde já evita surpresas na apuração.
Erros comuns que estamos vendo
- “É só teste, deixa pra lá” — e aí o cadastro segue errado o ano inteiro, e o problema só aparece quando vira dinheiro.
- Corrigir na nota, não no cadastro — a equipe ajusta o imposto manualmente a cada emissão em vez de arrumar a origem. Funciona até alguém esquecer.
- Esperar o contador resolver sozinho — a reforma mexe em cadastro de produto, precificação e sistema. É um trabalho conjunto entre empresa, contador e fornecedor do ERP.
O calendário que vem pela frente
Vale ter na parede:
- 2026 — ano-teste: CBS 0,9% + IBS 0,1% destacados na nota, sem recolhimento para quem cumpre as obrigações acessórias.
- 2027 — CBS entra em vigor de verdade; PIS e Cofins são extintos. Começa também o split payment em determinadas operações.
- 2029 a 2033 — transição gradual do ICMS e do ISS para o IBS, até o modelo completo do IVA dual.
Já explicamos os detalhes do modelo neste post sobre CBS e IBS na NF-e e neste sobre o split payment.
Checklist do segundo semestre
- Emitir uma nota de teste e validar os campos de CBS/IBS com o contador;
- Revisar a classificação fiscal dos produtos e serviços mais vendidos (comece pela curva A);
- Conferir se as notas de entrada estão sendo recebidas com os novos campos;
- Perguntar ao fornecedor do seu sistema qual é o plano para 2027 — se a resposta for vaga, considere isso um sinal;
- Agendar uma conversa com o contador antes de novembro, quando a agenda de todo mundo aperta.
O Sigeflex já emite NF-e e NFC-e com os campos da reforma tributária e acompanha cada nota técnica da SEFAZ para que nossos clientes passem por 2026 — e cheguem em 2027 — sem sobressaltos. Quer verificar se sua empresa está pronta? Conheça o Sigeflex ou fale com a nossa equipe.